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domingo, 11 de setembro de 2011

Ney Matogrosso teme gravar música com a palavra masturbação: 'os brasileiros estão muito caretas'


Ney Matogrosso teme gravar música com a palavra masturbação: 'os brasileiros estão muito caretas'

Ney Matogrosso / Foto: Leonardo Aversa -
Agência O Globo
RIO - A polêmica começou quando, semana passada, em entrevista ao jornalista Cadão Volpato no programa "Metrópolis", na TV Cultura de São Paulo, o cantor Ney Matogrosso declarou que não sabe se vai ou não vai incluir no seu próximo disco a canção "Cinema Íris", do músico Luís Capucho, por causa da frase "Enquanto homens masturbam-se na neblina do cinema".

Nas palavras do Ney, "os brasileiros estão muito caretas" e ele não pretende surtar os ouvidos mais recatados: "Eu fui selecionando as músicas por esse caminho... Jards Macalé, Itamar Assunção e tem o Luís Capucho, um compositor extraordinário. Só que ele tem uma temática muito explícita, esse talvez seja o grande problema. A música dele que está comigo chama-se "Cinema Íris", e eu adoro.

Na entrevista, Ney contou que tem feito uns testes com a letra para ver o que as pessoas acham. "Mostro a música para uma pessoa bem doida e ela diz: 'Nossa, você vai ter coragem de cantar isso?'; então, eu pego uma pessoa bem careta e ela diz 'Nossa, nem achei tão pesada assim'. Não dá para ter parâmetro."

Para Ney, a música "é muito excitante. Não dá para tirar a frase. E eu não queria que fosse um disco proibido, não quero assustar ninguém".

- Desde o início do ano, em praticamente todas as suas entrevistas, Ney dizia que estava gravando um disco com os malditos da música e me incluiu nessa turma - conta Capucho.

Para o autor, o Ney está apenas criando um clima em torno do lançamento.

- Tenho certeza de que ele vai gravar porque ele sempre foi ousado. Quando surgiu nos Secos & Molhados, foi de uma ousadia enorme. E de lá para cá, continuou assim. Até lançou um disco estampando sua foto nu na capa. E apesar de se dizer tímido, o trabalho dele não é.

"Jean Genet da canção popular"
Luis Capucho, compositor
- Foto Leonardo Aversa / Agencia O Globo

"Cinema Íris" será o título do próximo CD, ainda em produção, do capixaba Luís Capucho, de 49 anos, morador de Niterói, e considerado o mais maldito entre os malditos da canção brasileira. Capucho tem um CD lançado ("Lua singela") e composições gravadas por Daúde, Cássia Eller, Marcos Sacramento, entre outros. No final dos anos 60, Capucho lançou o livro "Cinema Orly", vencedor do Prêmio Arco-Íris de Direitos Humanos em 2005.

- É um livro bem procurado por estudantes de Letras que fazem monografias sobre questões dos gays. Como é um livro muito querido, acabei querendo fazer uma dobradinha na música, e assim nasceu "Cinema Íris", que é no mesmo viés. Eu sempre digo que "Cinema Íris" é a irmã musical do livro "Cinema Orly" - explica.

Maldito? Quando lançou a música "Mamãe me adora", na década de 90, Capucho foi batizado de "o Jean Genet da canção popular" por um jornal paulista. ("Eu também sou feliz com homens/como os que amou mamãe/homens que são cheios de tensão/como diabos/homens que são como aparição/como Nossa Senhora").

- As pessoas sempre falam da minha explicitude. "Cinema Íris" é uma música ambientada num cenário erótico que mistura homossexuais e hetorossexuais. É para um ambiente mix - brinca o autor, formado em Letras e professor aposentado pela Universidade Federal Fluminense.

Apaixonado pela mãe, que morreu no carnaval de 2009, Capucho é um sobrevivente. Menino pobre, filho bastardo de um fazendeiro dono das terras onde a mãe trabalhava, ele enfrentou as sequelas de um espancamento e a Aids, que contraiu em 1996.

A possibilidade de ter sua música gravada por Ney Matogrosso é um estímulo. "Lua singela", seu primeiro CD, não teve o reconhecimento que ele desejava. Hoje, os amigos torcem para que "Cinema Íris", em análise na Biscoito Fino e na Dubas, tenha outro destino. Capucho está ansioso, mas seu coração se aquieta quando ele lembra dos conselhos da mãe Luiza: "Não fique preocupado com isso, filho, o que tem que ser, tem força. O que tem que ser é".


oglobo.globo.com

terça-feira, 3 de junho de 2008

Ney Matogrosso: maconha como terapia e relacionamento com Cazuza além do sexo

Vídeo musical: Poema - ney matogrosso


Ney Matogrosso diz que amou Cazuza e usa drogas

Em entrevista à edição de maio da revista Rolling Stone, o cantor Ney Matogrosso, 66 anos, relembrou o seu namoro com o cantor Cazuza, que morreu em 1990, e falou abertamente sobre drogas, aids e homossexualidade.

"Ele foi um dos três grandes amores da minha vida. Eu tinha muito medo de relacionamentos. Com ele vi que era possível um relacionamento além do sexo", afirmou à publicação.

Durante a entrevista, o cantor, que está em turnê com o show Inclassificáveis, contou ainda que soube sobre a existência da homossexualidade por meio da igreja católica.

"Ao me confessar, o padre logo perguntou: 'Você já fez saliência com as meninas?' Eu disse que não e ele emendou: 'E com meninos?' Então me perguntei: 'E pode?'", contou.

"Uso maconha como terapia"

A edição de maio da Rolling Stone, o cantor afirmou ainda que continua usando drogas.

"Sempre usei droga para abrir minha percepção. Quando tem uma dúvida, uso maconha como terapia. E aí aflora, porque a resposta está dentro de mim", explicou.

Ney Matogrosso disse anda que chegou a acreditar que fosse soropositivo na primeira vez que fez o exame de HIV.

"Eu tinha passado pela mão de vários que estavam doentes. Quando deu negativo, eu pedi a vários médicos uma explicação. Não tem", finalizou.


Fonte: Terra


terça-feira, 1 de abril de 2008

Inclassificável: Ney Matogrosso volta em plena exuberância

Vídeo: "Inclassificáveis" Show Ney Matogrosso Canecão


Ney Matogrosso volta em plena exuberância com 'Inclassificáveis'

Álbum promete ser um dos melhores lançamentos da MPB em 2008.
Compositores novos e veteranos se misturam em repertório pop.

O nome é “Inclassificáveis”. Mas o novo álbum de Ney Matogrosso permite inúmeras classificações: sexy, roqueiro, politizado, pop... Sem esquecer a de candidato a melhor lançamento da MPB deste ano que mal começou.

A sensualidade está por toda parte. Na volta do visual exuberante dos anos 70 logo na capa do disco em que o cantor usa um colante cheio de brilhos desenvolvido pelo estilista Ocimar Versolato. E se estende para canções sacaninhas como “Ouça-me”, parceria de Itamar Assumpção e Alice Ruiz. “Você eu tenho que ter, meu amor, pra poder comer”, canta Ney num tom lascivo só dele.

Sexy é também o tango-bolero, que inusitadamente ganha guitarras espertas, “Veja bem, meu bem”. A letra é de Marcelo Camelo, na medida certa para a interpretação rasteira, quase dramática, de Ney. Da mesma linhagem é “Mente, mente” (“me aperte furiosamente, mente, mente”).

E ele, que canta na letra de “Lema” (Carlos Rennó/Lokaua Kanza) que “jamais vou dar fim ao menino em mim” cumpre a promessa. Rejuvenesce as músicas já juvenis de Cazuza, “O tempo não pára” e “Por que a gente é assim?”.

“Ode aos ratos”, canção social de Chico Buarque que descreve metaforicamente o caos urbano brasileiro, num primeiro momento parece destoar do resto do álbum. Mas Ney está de olho no presente, e seu “museu de grandes novidades”. Então “Ode aos ratos” faz sentido ao lado de “Inclassificáveis” (“que preto, que branco, que índio, o quê?”), e do clássico tropicalista “Divino maravilhoso”.

A melhor música do álbum, e a que talvez resuma a “inclassificável” boa forma musical do cantor, é “Leve”, parceria de Iara Rennó e Alice Ruiz. “Ser feliz ou não, questão de talento” diz a letra, perfeita para Ney Matogrosso, em fase de exuberância plena.


Fonte: G1