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quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Letras do sertanejo Victor são campeãs.


Por André Pontes

Victor: faturamento vem da execução de músicas em shows, rádio e TV (Foto: Divulgação - Washington Possato)
O sertanejo romântico (entenda-se meloso) pode ter arrefecido nas paradas de sucesso. Mas não está morto. Ao contrário. Prova disso é que um de seus maestros deverá se firmar neste ano como o compositor que mais fatura com direitos autorais nas cinco regiões do Brasil: Vitor Chaves - o Victor da dupla Victor & Leo (sim, o prenome de bastimo não tem "c", ao contrário do artístico). Mais: será o segundo ano consecutivo em que o compositor bate nomes da pesada, como Roberto Carlos, segundo o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad). Nem pense em Caetano Veloso e Chico Buarque: eles estão longe desta briga.
Nascido em Minas Gerais há 34 anos, Victor tocou por 15 anos ao lado do irmão na noite de Belo Horizonte e São Paulo antes garantir seu lugar à sombra. Agora, a agenda da dupla está lotada durante quase todo o ano de 2010. Na entrevista a seguir, ele fala dos anos de vacas magras na noite e também das fontes de inspiração do compositor que mais lucra no país.
A dupla Victor & Leo faz cerca de 200 shows por ano. Onde você arruma tempo para compor?
Tenho feito poucas canções atualmente, principalmente pelo tempo tão curto que tenho. Mas há muitas canções inéditas, que fiz no passado. Por exemplo: compus Deus e Eu no Sertão em 1995 [a canção só foi lançada neste ano].
Qual a inspiração para compor?
Não há algo específico ou uma regra. Inspiro-me na emoção por algo, alguém ou alguma experiência, ainda que não seja minha. O importante é que parta de uma emoção verdadeira e natural, pois não consigo compor algo pensando no mercado ou temas da moda.
A sua vida pessoal é bastante reservada. Deus e Eu No Sertão é uma música que fala de você? [trecho da canção: "Nunca vi ninguém viver tão feliz / Como eu no sertão / Perto de uma mata e de um ribeirão"]
Certamente. De mim e de muita gente. Compus esta canção como uma forma de sentir-me mais próximo de minhas raízes, onde eu e o Leo fomos criados. A música pode nos levar para lugares aos quais nem chegamos fisicamente, e é para onde estejam a paz, o conforto e a simplicidade que esta canção leva quem a ouve, na maioria das vezes.
Antes de fazer sucesso como cantor, você já faturava com direitos autorais?
Muito pouco. Porque o que gera meus direitos autorais são canções gravadas por mim e pelo Leo mesmo. Quase não há canções minhas gravadas por outros artistas.
Vocês tocaram muito tempo na noite e sofreram para chegar às rádios. Agora, com o sucesso, guardam alguma mágoa pelo que tiveram que passar antes da fama?
Sempre houve desafios, assim como ainda há muitos. Mas não me lembro de reclamar ou sofrer. Nunca entramos numa batalha maluca pelo sucesso, pois nosso sucesso está em fazer o que amamos. Há 18 anos, fazemos música, e é isso que nos motiva. Se ela vende e rende fama ou dinheiro, é outra coisa.
Pensaram em desistir alguma vez?
Não. Se pensássemos apenas no sucesso e em nós, talvez tivéssemos parado. Mas pensávamos em coisas mais altas, como no bem que proporcionávamos às pessoas através de nossa arte. Quando se pensa em contribuir para um mundo melhor com trabalho, este trabalho ganha verdadeiro sentido.
Parte do sucesso de vocês se deve à disseminação de CDs piratas. Como você vê isso?
Onde a saúde e a educação não são prioridade, a pirataria é apenas uma entre outras tristes consequências.
O que a fama trouxe de bom para você? E de ruim?
A fama, para mim e Leo, é sinônimo de responsabilidade. Significa que podemos ter a atenção de muita gente para o que falamos, pensamos e fazemos. Então, a usamos para falar de bons valores. Há uma grande diferença entre usar a arte para se promover e usar-se como instrumento para promover a arte. A parte ruim é ter pouca privacidade, mas faz parte.
É sabido que o dinheiro proveniente dos direitos autorais dá muitas voltas antes de chegar à mão do compositor. Ele chega certinho ou existe desvio no meio do caminho?
Acredito no Ecad e acho que o órgão enfrenta seus problemas, principalmente de ordem política e burocrática. Há instituições que usam a música em benefício próprio e não pagam direitos autorais. Não estamos num país 100% sério e é por isso que, mesmo quem quer fazer a coisa direito, enfrenta problemas. Mas acho que estamos crescendo e melhorando. Conversando com compositores mais maduros, percebo que o recolhimento melhorou muito, embora ainda haja muito a ser feito.
O gênero sertanejo universitário - que vende muito e enche as casas de shows no Brasil inteiro - é mais próximo do axé do que da raiz do sertanejo. Já a dupla Victor & Leo tem uma música mais ligada à tradição e ao sertanejo romântico. Como você vê o cenário da música sertaneja atual? 
Pergunta difícil de responder. A música sertaneja, principalmente regional, é a nossa mais forte referência, embora tenhamos muita influência do blues, folk e outros ritmos. Temos uma forma muito própria de falar do sertão e podemos citar Vida BoaSem Trânsito, sem AviãoDeus e Eu no SertãoMoça Rebelde e Lem Casa, como exemplos disso. Sinceramente, não me sinto no direito de classificar a música sertaneja atual. O que fala por mim é o trabalho que desenvolvo junto ao meu irmão, Leo. Nele, sempre haverá sertão.
Ainda existe espaço para as modas de viola?
Claro que sim. As modas de viola são ricas em poesia e contexto. O espaço para elas pode ser restrito na grande imprensa, mas estará garantido entre os que realmente sabem por onde passou e de onde a música sertaneja saiu. Há artistas que reciclam, com muita propriedade, o cancioneiro sertanejo, como Chitãozinho & Xororó, em Clássicos Sertanejos e Grande Clássicos Sertanejos, e Daniel, em seu trabalho Meu Reino Encantado. A exemplo deles, certamente chegará nossa hora de o fazer também.
veja.abril.com.br/

sábado, 22 de agosto de 2009

Victor e Leo: Deus E Eu No Sertão

Confira a participação da dupla Victor e Léo na novela "Paraíso", onde cantaram a música "Deus e Eu no Sertão", tema de abertura.


Nunca vi ninguém
Viver tão feliz
Como eu no sertão
Perto de uma mata
E de um ribeirão
Deus e eu no sertão
Casa simplesinha
Rede pra dormir
De noite um show no céu
Deito pra assistir
Deus e eu no sertão
Das horas não sei
Mas vejo o clarão
Lá vou eu cuidar do chão
Trabalho cantando
A terra é a inspiração
Deus e eu no sertão
Não há solidão
Tem festa lá na vila
Depois da missa vou
Ver minha menina
De volta pra casa
Queima a lenha no fogão
E junto ao som da mata
Vou eu e um violão
Deus e eu no sertão

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Lançamento: Victor e Leo – borboletas (clipe e letra)



Victor e Leo – borboletas (clipe e letra)

Composição: (Victor Chaves)

Percebo que o tempo já não passa
Você diz que não tem graça amar assim
Foi tudo tão bonito, mas voou pro infinito
Parecido com borboletas de um jardim

Agora você volta 
E balança o que eu sentia por outro alguém
Dividido entre dois mundos
Sei que estou amando mas ainda não sei quem

Não sei dizer o que mudou
Mas nada está igual
Numa noite estranha a gente se estranha e fica mal
Você tenta provar que tudo em nós morreu
Borboletas sempre voltam
E o seu jardim sou eu

 

Victor & Leo é uma dupla sertaneja brasileira, formada pelos irmãos "Victor" (Vitor Chaves Zapalá Pimentel) e "Leo" (Leonardo Chaves Zapalá Pimentel). Iniciaram a carreira no início de 1992, na cidade de Abre Campo, Minas Gerais, onde foram criados, sem pretensão de tornarem-se profissionais.