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domingo, 3 de abril de 2011

Chuva não desanima e Ozzy faz apresentação

Com pontualidade inglesa teve início, as 21h30 de sábado (3), o show de Ozzy Osborne na Arena Anhembi. Trinta mil pessoas assistiram por uma hora e meia um senhor de 62 anos correr, pular, lançar jatos de espuma na platéia, tomar banho de balde e cantar com a mesma voz de antigamente sucessos como "War Pigs" e "Fairies Wear Boots".

De início, "Bark at the Moon" levou o público a uivar para uma lua inexistente, encoberta pela chuva que caia de maneira intermitente. Capas eram colocadas e retiradas, mas ninguém parecia se importar. Ozzy mandou a chuva "se danar", todos riram e concordaram.

Com "Mr Crowley" o sambódromo foi transformado em um verdadeiro mar de mãos fazendo chifrinhos, gesto comum em shows de rock. Os mais inspirados usavam adereços luminosos na cabeça.

Com mais de uma hora de apresentação e caminhando para o fim, um morcego de plástico foi lançado no palco. Ozzy, no meio de "Iron Man", foi até lá, colocou o brinquedo na boca e fez graça por alguns segundos, remetendo ao incidente de 1982 em que mordeu um morcego real pensando ser de plástico.

No bis, a platéia foi instigada a pedir mais uma música. "No More Tears", muito pedida, ficou de fora. Entraram "Mama, I'm Coming Home" e "Paranoid", que, como em Porto Alegre no último dia 31 de março, fechou o show em grande estilo.

Na avenida Olavo Fontoura, transformada em uma enorme calçada pela multidão que começava a voltar para casa, muitos cantavam as músicas que tinham acabado de ouvir, alguns comiam, outros comentavam que os pés estavam encharcados, mas ninguém reclamava do show. Faça chuva ou faça sol, Ozzy agrada a todos. Dia 5 de abril é a vez de Brasília.

Zanone Fraissat/Folhapress
Ozzy Osbourne durante apresentação na Arena Anhembi, na zona norte de São Paulo


Dreamer
Gazing through the window at the world outside
Wondering will mother earth survive
Hoping that mankind will stop abusing her, sometime


After all there's only just the two of us
And here we are still fighting for our lives
Watching all of history repeat itself, time after time


I'm just a dreamer
I dream my life away
I'm just a dreamer
Who dreams of better days


I watch the sun go down like everyone of us
I'm hoping that the dawn will bring good signs
A better place for those who will come after us, this time


I'm just a dreamer
I dream my life away, oh yeah
I'm just a dreamer
Who dreams of better days


Your higher power may be God or Jesus Christ
It doesn't really matter much to me
Without each others help there ain't no hope for us
I'm living in a dream of fantasy, oh yeah yeah yeah


If only we could all just find serenity
It would be nice if we could live as one
When will all this anger hate and bigotry be done


I'm just a dreamer
I dream my life away, today
I'm just a dreamer
Who dreams of better days, oh yeah


I'm just a dreamer
Who's searching for the way, today
I'm just a dreamer
Dreaming my life away, oh yeah yeah yeah

Sonhador
Contemplando pela janela o mundo afora
Desejando saber se a mãe terra sobreviverá
Esperando que a humanidade parasse de abusar dela alguma vez


Afinal só existem dois de nós
E aqui estamos, ainda lutando por nossas vidas
Vendo toda história se repetir, vez por vez


Sou apenas um sonhador
Eu sonho minha vida
Sou apenas um sonhador
Que sonha com dias melhores


Vejo o sol descer como todos nós
Estou aguardando que o amanhã traga bons sinais
Dessa vez, um lugar melhor para aqueles que virão depois de nós


Sou apenas um sonhador
Eu sonho minha vida
Sou apenas um sonhador
Que sonha com dias melhores


Sua força maior talvez seja Deus ou Jesus Cristo
Isso não tem muita importância para mim mesmo
Sem ajudar uns aos outros não haverá esperança para nós
Vivo num sonho de fantasia


Se ao menos pudéssemos encontrar serenidade
Seria ótimo se pudéssemos viver como um só
Quando acabará toda essa raiva e fanatismo?


Sou apenas um sonhador
Eu sonho minha vida
Sou apenas um sonhador
Que sonha com dias melhores


Sou apenas um sonhador
Que hoje está procurando o caminho
Sou apenas um sonhador
Sonhando minha vida

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Ozzy Osbourne: O Príncipe das Trevas que se tornou uma flor de pessoa

Vídeo: Black Rain




Ozzy Osbourne garante: sua única dependência é a do rock


De "A Gazeta"

O inglês John Michael Osbourne, o nativo de Birmingham que ficou conhecido como Ozzy Osbourne, completará 60 anos no dia 3 de dezembro deste ano. Uma vida de excessos: ele declarou, nos anos 1980, que tentou várias vezes o suicídio e que ele e o baterista Bill Ward, quando estavam no grupo Black Sabbath, tomaram ácido diariamente durante dois anos. Cansou de ser declarado persona non grata mundo afora. Em 1982, foi expulso de San Antonio, Texas, após ter urinado no Álamo, um símbolo local. Em 1990, o cardeal nova-iorquino John O’Connor destinou a Ozzy um violento sermão antirock. Foi considerado psicopata e satanista e assumiu uma gama diversificada de apelidos, como "Príncipe das Trevas".

Mas, hoje em dia, Ozzy é uma flor de pessoa e chegou a ser convidado, em 2002, por George W. Bush, para ir à Casa Branca conversar sobre sua militância em defesa dos animais domésticos – curioso destino de quem um dia foi acusado de decepar a cabeça de um morcego com os dentes, em pleno palco. Faz caridade em época de Natal e já estrelou comercial de refrigerante.

A estrada de excessos de Ozzy lhe deu uma assombrosa notoriedade. Isso se intensificou nos anos em que ele e sua família estrelaram o reality show "The Osbournes", na MTV. Na semana passada, seus fãs fizeram fila na chuva para comprar ingressos para seu show em São Paulo.

Ele chega ao país nesta semana para concerto na quinta-feira, no Rio de Janeiro (Rio Arena) e no sábado, em São Paulo (Estádio do Palmeiras), com abertura das bandas Black Label Society (liderada pelo fiel escudeiro de Ozzy, o guitarrista Zakk Wylde) e Korn.

Drogas
Por e-mail, Ozzy deu entrevista. "Estou completamente recuperado de todos os meus vícios. Minha única dependência é o rock", disse o músico, falando sobre algumas referências às drogas que ainda aparecem na sua música atualmente – a canção "Silver" fala de uma anfetamina, a chamada "chrystal meth", mas Ozzy diz que não tem nada a ver. "Eu nunca discuto as letras de minhas canções. Cada um tem uma interpretação diferente", afirmou.

Zombeteiro, Ozzy tirou um sarro do repórter que lhe perguntou se era verdade o que sua mulher, Sharon Osbourne, contou à imprensa sobre um suposto sonambulismo do roqueiro, que teria o costume de andar pelado à noite nos corredores dos hotéis em que se hospeda. Sharon cogitou a hipótese de colocar um sino em Ozzy para que ele não pagasse mico na madrugada. "Fique atento, preste atenção ao som de um sininho se aproximando!", brincou Ozzy.

A canção-título de seu novo disco, "Black Rain", começa com uma gaita, algo que parece evocar os dias de Ozzy no lendário grupo Black Sabbath, que ele formou nos anos 60 com o guitarrista Tony Iommi, o baixista Geezer Butler e o baterista Bill Ward. Será um sinal de que o velho Ozzy anda sentindo falta do antigo grupo? "Sim e não. Tenho muito orgulho de meus anos com o Black Sabbath. Eu tenho caminhado à minha própria custa nos últimos 27 anos. A única coisa que posso dizer com honestidade é que somos todos amigos de novo. Isso faz com que eu me sinta realmente muito bem", afirmou. Ozzy foi demitido pela banda em 1978, após lançarem o disco "Never Say Die", e reiniciou a carreira pelas mãos da atual mulher e empresária, Sharon, que o levou a montar um novo grupo, "Blizzard of Ozz".

Sobre os rumores sempre freqüentes de que esta seria sua última turnê, Ozzy foi curto e grosso: "Ponha para tocar o meu disco ‘Black Rain’ e ouça a letra de ‘I Don’t Want to Stop‘. Isso responderá à sua questão." A letra diz o seguinte: "Toda minha vida estive no topo/ Eu não quero descer/ tudo que eu sei é que não quero parar."

Ele rebateu as críticas ao seu disco mais recente, "Black Rain", nome da turnê que o traz ao Brasil. Os críticos vêem um som mais industrializado e cheio de solos de teclados, em vez de solos de guitarra. "Você não tem de ter um solo de guitarra em cada canção. Neste disco eu estava fazendo uma experiência. Adoro o resultado final e tudo que quero é que vocês também gostem."

"Black Rain" tem só duas canções que ele não escreveu em parceria com seu mais freqüente companheiro, o guitarrista Zakk Wylde: a longuíssima "God Bless the Almighty Dollar" e "Trap Door". "É imperativo para mim escrever sobre as coisas que me afetam de algum modo. Não posso escrever sobre conversa mole", disparou o soberano do metal.

Ele demonstrou otimismo com o novo projeto dos irmãos Cavalera, ex-Sepultura, que acabam de lançar o disco "Inflikted" com uma nova banda, Cavalera Conspiracy. "Não ouvi ainda o novo projeto, mas tenho certeza de que é bom", disse.

Músico faz show no país pela terceira vez

Ozzy Osbourne esteve no Brasil pela primeira vez para o Rock in Rio, em 1985, ao lado de Queen, Iron Maiden, Whitesnake, Yes e AC/DC. Voltou para o "Monsters of Rock", em 1995, numa jornada que teve ainda o Megadeth, Alice Cooper, Faith no More e Rata Blanca. Na ocasião, no Pacaembu, 45 mil pessoas viram os concertos. Em 2002, Ozzy deu uma parada em suas atividades musicais para se concentrar no tratamento de sua mulher, Sharon, que foi diagnosticada com câncer no colo do útero. Declarou-se perdidamente apaixonado pela mulher e chegou a passar mal ao assistir às sessões de quimioterapia. Mas Sharon sarou, e Ozzy voltou à estrada. Em 2003, um baque: seu empresário de turnês, Bobby Thomson, foi encontrado morto num quarto de hotel.

Jotabê Medeiros
São Paulo