sexta-feira, 14 de março de 2008

Cavalera Conspiracy: o retorno destruidor com Inflikted

Vídeo: Cavalera Conspiracy - Inflikted


Família Cavalera volta mais destruidora do que nunca


Tudo começou a cair por terra durante um show na Brixton Academy, em Londres, no dia 16 de dezembro de 1996. Naquele show, Max Cavalera foi informado que os outros três membros da banda Sepultura (o guitarrista Andreas Kisser, o baixista Paulo Jr. e o baterista Iggor Cavalera) estavam oficialmente demitindo sua mulher Gloria Gujnowsky Cavalera das funções de empresária da banda. Inconformado, Max Cavalera também deixou o grupo e ficou 12 anos sem falar com o irmão mais novo, Iggor.

Gloria passou a ser conhecida entre os fãs como uma espécie de Yoko Ono do thrash metal. O Sepultura recrutou um novo vocalista, Derrick Green, norte-americano, e continuou. Max Cavalera, que vive nos Estados Unidos, criou o Soulfly. Iggor Cavalera, agora assinando o nome com dois G, também começou a exercitar seu coté DJ e criou o projeto eletrônico "Mixhell" (no ano passado, tocou em São Paulo com os 2 Many DJ’s e na Dinamarca no Roskilde Festival).

Entretanto, o mundo do metal também gira em torno do Sol e os irmãos Cavalera fizeram as pazes. Sangue do sangue do heavy metal brasileiro, eles gestaram em Belo Horizonte, em 1984, a mais internacional das bandas nacionais. Agora, retornam às boas com um novíssimo grupo, o Cavalera Conspiracy - o antigo Sepultura continua rodando por aí com os velhos companheiros. "Tá tudo superado. Para mim, já tava superado há muito tempo. Mas é muito legal estar com ele de novo. E ele está trazendo o filho dele, Antonio, para a turnê com a gente. Já estamos até providenciando um headphone para não estourar o ouvido do garoto", disse um exultante Max Cavalera, por telefone, de Phoenix, Arizona.

"Inflikted", o disco que firmou a reconciliação dos irmãos Cavalera, chega às lojas no dia 24 de março com apenas 11 canções. Além dos irmãos, integram a banda o guitarrista Marc Rizzo e o baixista Joe Duplantier. Rex Brown, baixista do Pantera, toca na faixa "Ultra-Violent". Ouvidos, tremei: é barulho para deixar neguinho sem rumo. "Legal que é um disco curto, não tem frescura, é bem animal", avalia Max.

Ele conta que, quando o álbum ficou pronto, ele pegou uma cópia e levou para um amigo em Phoenix, Danny Marianino (é o cara que ficou famoso recentemente no Youtube com um vídeo que o mostra nocauteando, com apenas um soco, o cantor Glenn Danzig). "Cheguei lá com o advanced e o Marianino me disse que já tinha ouvido uma cópia pirata. A pirataria já tinha rolado que nem com ‘Tropa de Elite’", conta Max, com uma gargalhada.

Mas não é um mau negócio essa história da pirataria, Max? "Não tem que fazer nada. Na geral, tem tanta música merda por aí que tem de ser de graça mesmo. Tem muita coisa ruim. A pirataria atrapalha e não atrapalha. Fazer o quê?"

Turnê

A turnê da nova banda Cavalera Conspiracy vai correr o mundo a partir deste mês. Nos Estados Unidos, eles vão se apresentar dividindo noites com o grupo The Dillinger Scape Plan. Na Europa, serão mais quatro bandas no palco, entre elas o Morbid Angel, de death metal.

No disco "Inflikted", o Cavalera Conspiracy gravou um cover de "The Exorcist", do Possessed, uma banda de heavy metal dos anos 1980. "É um cover bem nostalgia, da nossa época de metal em Belo Horizonte. A gente ouvia isso loucamente no vinil. Eu queria ter feito mais covers, mas não tivemos tanto tempo."

Por exemplo: Max conta que ele e Iggor chegaram a começar a gravação de um cover do Prodigy, banda que Iggor aprecia e na qual tem amigos. Era o batidão "The Law". "Não deu tempo de terminar", lamenta Max.

A família Cavalera continua fiel ao metal, o que inclui os recém-chegados. O filho de Max, Igor Cavalera, de 12 anos, toca guitarra e é fã de grupos como Canibal Corpse, ícone do death metal. O mais velho, Zyon, de 14 anos, é um skatista doente, conta o pai. Max Cavalera virou um fã incondicional do filme "Tropa de Elite". "Já vi umas 10 vezes. É melhor que 'Cidade de Deus'", diz. Ele conta que reúne os amigos americanos em seu rancho, em Phoenix, para ver o filme. "Coloco sem legenda, sem nada, e vou explicando. Nem precisa entender a língua, eles ficam chapados."

Fonte: Jornal "A Gazeta", matéria de Jotabê Medeiros

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